Ano: 2024
Orientador(a): Fabiana T. Pithon

Resumo: O presente estudo configura-se como um recorte arquetípico do processo de constituição psíquica, tomando como ponto de partida as imagens presentes nos mitos cosmogônicos. Nesses mitos, os opostos complementares – Feminino e
Masculino – atuam em cooperação para a surgimento do mundo mítico, até o momento em que se torna necessário desacomodar, expulsar e romper o ciclo devorador, instaurando condições para a renovação. A imagem da uroboros
atravessa toda a análise, orientando as reflexões em torno da assimilação e incorporação de conteúdos inconscientes, associados ao temor do incesto urobórico de matriz matriarcal. Tal medo é, então, projetado sobre a mulher real, fomentando mecanismos históricos de dominação, subjugação e violência, os quais sustentaram a consolidação do patriarcado, estruturado a partir do arquétipo paterno. Apresenta-se a proposta de formação dos arquétipos do poder e da violência como subproduto deste arquétipo originário, que se enraizaram no Self, enquanto a psique coletiva relegava Eros ao inconsciente,
promovendo o predomínio de Logos na consciência. Com base nessa
perspectiva patriarcal, analisam-se os efeitos dos arquétipos do poder e da
violência na constituição da psique de mulheres e homens, bem como sua
influência na diferenciação dos conteúdos psíquicos, condição necessária ao
processo de individuação.

Palavras-chave: arquétipo, uroboros, patriarcado, poder e violência de gênero.

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