Psicologia Analítica

A Psicologia Analítica, originada a partir das idéias do psiquiatra suíço Carl Gustav Jung, traz conceitos que influenciam toda a cultura ocidental, tais como arquétipos, inconsciente coletivo e processo de individuação.

A formação filosófica de Jung, sua experiência em hospital psiquiátrico, o interesse pelas diversas religiões, assim como o estudo de mitologia comparada, antropologia e alquimia foram fundamentais para a construção dos principais conceitos da Psicologia Analítica.

Na área Links você encontra referências de vários sites onde pode aprofundar seu conhecimento sobre as várias áreas do conhecimento que influenciaram a psicologia junguiana.

Aqui você encontra vídeos onde o próprio Jung aparece falando. Fique atento para mais atualizações.
Carl Gustav Jung (1875-1961), fundador da psicologia analítica.

VÍDEOS:

Face to Face: Entrevista com Jung realizada pela BBC em 22 de Outubro de 1959.

“Face to Face”, um programa de entrevistas que a BBC levou ao ar de 1959 a 1962, tinha a característica inovadora de tentar capturar as emoções do entrevistado por meio dos ângulos em close capturados pela câmera e pelas perguntas afiadas do entrevistador. As entrevistas eram feitas em estúdio e a única exceção foi a de Jung, realizada em sua própria casa na Suíça. Jung tinha 84 anos e surpreendeu ao consentir em dar essa entrevista, pois sempre havia sido uma pessoa recolhida quanto à sua vida pessoal. A entrevista teve uma repercussão muito positiva no público em geral, surpreendendo o próprio Jung. Esse grande interesse em sua psicologia demonstrado pelo público leigo a partir dessa entrevista levou à publicação do livro O Homem e seus Símbolos, escrito com colaboradores e que Jung não chegou a ver publicado pois faleceu antes.

Esta entrevista contém passagens memoráveis. Nela, Jung fala sobre sua infância, sobre seus pais, sobre o momento em que, aos 11 anos de idade, tomou consciência de sua individualidade, sobre Freud e sobre o grande perigo para a humanidade ser o próprio homem. Uma das passagens mais importantes é quando o entrevistador pergunta se Jung acredita em Deus e ele responde: “Agora? Bem, isso é difícil de responder… Eu sei. Eu não preciso acreditar. Eu sei”.
Uma transcrição completa dessa entrevista encontra-se no livro “C.G. Jung – entrevistas e encontros”, editado por W. McGuire e R.F.C Hull (Ed. Cultrix).

Parte 1/4

 

CARTA ABERTA DA ASSOCIAÇÃO JUNGUIANA DO BRASIL – AJB

Como cidadãos e profissionais da saúde mental (psiquiatras e psicólogos), responsável e firmemente, manifestamos a nossa posição frente ao atual campo político brasileiro e aos possíveis resultados que possam advir para a democracia e para a história de nosso País.
Observando a conjuntura social que vivemos fica muito claro a polaridade e dicotomia conflitante entre tendências opostas. Obviamente este é um fenômeno coletivo, já evidente em 2016 quando das manifestações das ruas. Entendemos que visões e crenças diferentes são ingredientes básicos da democracia, onde todas as vozes, tendências e anseios devem ser ouvidos e discutidos em um clima de inclusão de todos os cidadãos. Este diálogo torna-se incompatível quando a discussão se polariza e as diversas possibilidades são suplantadas pela visão de mundo em preto e branco somente.
Neste sentido adoecemos como sociedade, pois a polaridade exclui o todo e tende a criar condições de manifestações de projeções e ódios infundados mesmo entre amigos e familiares. Candidatos são porta vozes das condições psíquicas da sociedade e um olhar sério sobre nosso atual estado como nação se faz necessário.
Podemos verificar que a existência de lamentáveis e trágicos distúrbios em nossa sociedade, não podem ser atribuídas tão-somente à psicologia pessoal das pessoas envolvidas. Há, sim, manifestações de conteúdos coletivos, que modulam as reações em nível pessoal, que vão de discursos de ódio, agressões físicas e psicológicas e disseminação de notícias falsas pelas redes sociais.
Estamos atentos para o sentimento de derrota e de calamidade social no qual se encontra a sociedade brasileira, favorecendo a eclosão de forças regressivas adormecidas no inconsciente, e que se apresentam como solução, porém, com energia emocional suficiente para suplantar a racionalidade, o bom senso, o pacto moral e os princípios básicos de humanismo e de convivência com o outro.
​Nesse contexto, a defesa da Democracia se faz urgente, para acolher e superar as nossas diferenças, evitando o caminho regressivo da barbárie.
​O estado democrático de direito exige o acolhimento, o respeito, o diálogo sem fanatismos, a análise racional dos motivos e acima de tudo o respeito aos Direitos Humanos, conquistado a duras penas. O estado democrático exige uma atenção social constante com respeito e empatia, em um trabalho de afeto catalisador, como diria a Dra. Nise da Silveira: “um ponto de referência e apoio […] tornando uma relação de amizade” (Imagens do inconsciente. Petrópolis: Vozes, 2015: 77).
​O nosso trabalho profissional e cotidiano na Psicologia Analítica é auxiliar as pessoas a escolherem e a tomarem decisões construídas por meio de um empenho pessoal, que pode ser até contrário aos conteúdos coletivos dominantes.
​O ofício psicoterapêutico junguiano envolve-nos no cuidado de desidentificar a pessoa da contaminação coletiva em busca de seus próprios valores e crenças que fazem sentido profundo à sua Alma. Sabemos que todas as vezes que as psiques individuais se confundem nos parâmetros das massas, as consequências são, no mínimo, desagradáveis, quando não, na realidade, nocivas aos sentimentos vitais individuais, como: a perda da solidariedade, da percepção de vida comunitária e espiritual, de disponibilidade para se ligar a outras pessoas, mesmo que sintam e pensem de forma diferente, com amor e carinho.
​“O elemento de diferenciação é o indivíduo”, conforme afirma Carl Gustav Jung:- “As mais altas realizações da virtude, assim como os maiores crimes, são individuais. Quanto maior for uma comunidade e quanto mais a soma dos fatores coletivos, peculiar a toda grande comunidade, repousar sobre preconceitos conservadores, em detrimento da individualidade, tanto mais o indivíduo será moral e espiritualmente esmagado. O resultado disto é a obstrução da única fonte de progresso moral e espiritual da sociedade. Nestas condições só poderão prosperar a socialidade e o que é coletivo no indivíduo. Tudo o que nele for individual submerge, isto é, está condenado à repressão: os elementos individuais caem no inconsciente onde, geralmente, se transformam em algo de essencialmente pernicioso, destrutivo e anárquico” (O eu e o inconsciente. Petrópolis: Vozes, 1987: 27. Obras Completas: Vol. VII/2, § 240).
​Encerrando nossa argumentação nós, a Associação Junguiana do Brasil – AJB, como associação de profissionais de prática e formação de analistas junguianos, afirmamos nosso apoio incondicional à democracia, aos valores humanos, à liberdade de expressão, ao respeito aos indivíduos e suas ideias, sentimentos e diferenças. Apoiamos a liberdade, a igualdade e a fraternidade, apoiamos a unidade na diversidade.

Associação Junguiana do Brasil – AJB
Outubro de 2018.