Histórico

A Associação Junguiana do Brasil-AJB é uma entidade ligada ao movimento de disseminação das idéias de Carl Gustav Jung, no Brasil. O minucioso estudo da alma humana desenvolvido por esse psiquiatra suiço, conhecido como Psicologia Analítica ou Psicologia Junguiana, foi primeiramente acolhido em nosso país pela psiquiatra alagoana Nise da Silveira, na Cidade do Rio de Janeiro.

Posteriormente, o médico húngaro, Petho Sandor, introduziu o pensamento de Jung na comunidade acadêmica, período que antecede a chegada de Leon Bonaventure à São Paulo, com quem os primeiros analistas brasileiros filiados à IAAP iniciaram sua análise didática.

Uma cuidadosa programação cultural, ao longo dos anos, contribuiu para a adesão de novos profissionais a essa linha de pensamento, entre elas a exposição comemorativa do centenário de nascimento de Jung, em 1975.

Assim, dissemina-se o estudo da Psicologia Analítica em nosso país, cultivado em terreno fértil e marcado por diferenças e singularidades, até que a 11 de novembro de 1991, sete colegas, membros da International Association for Analytical Psychology-IAAP – Carlos Alberto Salles, Elisabeth Zimmermann, Glauco Ulson, Paula Boechat, Priscila Caviglia, Walter Boechat e Candido Vallada – fundam a AJB.

Referendada por Luigi Zoja e Verena Kast, com a formação da primeira turma de analistas – Ângela Nacacio, Áurea Torres, Áurea Roitman, Dulce Helena Rizzardo Briza, Dulcinéia Monteiro, Gustavo Barcellos, Maria de Lourdes Bairão Sanchez e Zilda de Paula Machado – a instituição passa a ser filiada à IAAP durante o Congresso Internacional de 1995 em Zurique, coincidentemente a cidade onde Jung construiu todo seu trabalho.

Em 1997 é aceita como associação plena, estando desde então autorizada a dar continuidade à formação de analistas junguianos reconhecidos pela IAAP. Atualmente, coordena os diversos institutos de formação de analistas regionais (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Campinas, Curitiba, Porto Alegre e Salvador), zelando pelo controle de qualidade e a harmonização e padronização dessas entidades, sem restringir-lhes a autonomia indispensável às suas especificidades.

Histórico dos congressos realizados pela AJB

I evento da AJB – maio, 1993 – “Jung, seu mito em nosso tempo” – Visconde de Mauá, RJ(clique aqui para visualizar o folder)

II evento da AJB – agosto, 1994 – “Jung, a natureza e o feminino” – Parque Nacional do Caraça, MG (clique aqui para visualizar o folder)

III evento da AJB – novembro, 1995 – “Psicopatologia arquetípica” – Caxambu, MG

IV Simpósio da AJB – outubro, 1996 – “O masculino em questão” – Mangaratiba, RJ

V Simpósio da AJB – setembro, 1997 – Belo Horizonte (clique aqui para visualizar o folder)

VI Simpósio da AJB – novembro, 1998 – “Psicologia Analítica e Educação” – São Paulo, SP

VII Simpósio da AJB – outubro, 1999 – “O Futuro da Psicoterapia” – Nova Friburgo, RJ (clique aqui para visualizar o folder)

VIII Simpósio da AJB – setembro, 2000 – “Mitologias” – Belo Horizonte, MG (clique aqui para visualizar o folder)

IX Simpósio da AJB – setembro, 2001 – “Eficiência e/ou Transformação” – Águas de Lindóia, SP (clique aqui para visualizar o folder)

X Simpósio da AJB – setembro, 2002 – “Espiritualidade e individuação no cenário contemporâneo” – Itu, SP

XI Simpósio da AJB – outubro, 2003 – “Civilização em Transição” – Mangaratiba, RJ (clique aqui para visualizar o folder)

XII Simpósio da AJB – setembro, 2004 – “Sexualidade e Individuação” – Belo Horizonte, MG (clique aqui para visualizar o folder)

XIII Simpósio da AJB – novembro, 2005 – “A psique é o eixo do mundo” – Canela, RS (clique aqui para visualizar o folder)

XIV Congresso da AJB – novembro, 2006 – “Mundus imaginalis, arte, ciência e espiritualidade” – São Pedro, SP (clique aqui para visualizar o folder)

XV Congresso da AJB – setembro, 2007 – “Amor” – Atibaia, SP

XVI Congresso da AJB – setembro, 2008 – “Gaia, individuação e sociedade” – Rio de Janeiro, RJ (clique aqui para visualizar o folder)

XVII Congresso da AJB – outubro, 2009 – “Arte e Análise – o simbolismo nas artes visuais” – Belo Horizonte, MG (clique aqui para visualizar o folder)

XVIII Congresso da AJB – outubro, 2010 – “Criação” – Curitiba-PR (clique aqui para visualizar o folder)

XIX Congresso da AJB – setembro, 2011 – “O Lado Mal-dito de Jung” – Gramado, RS (clique aqui para visualizar o folder)

XX Congresso da AJB – junho, 2012 – “Soma, Psique, Individuação” – São Pedro, SP (clique aqui para visualizar o folder)

XXI Congresso da AJB – outubro, 2013 – “Símbolos de Transformação: perspectivas para um mundo em crise” – São Paulo, SP (clique aqui para visualizar o folder)

XXII Congresso da AJB – novembro, 2014 – “Alma Brasileira: Luzes e Sombra” – Búzios, RJ (clique aqui para visualizar o folder)

VII Congresso Latino-americano de Psicologia Junguiana- Junho, 2015 – “Conflicto y creatividad, puentes y fronteras arquetípicas” – Buenos Aires, Argentina (clique aqui para visualizar o folder)

XXIII Congresso da AJB – novembro, 2016 – “A Práxis Analítica” – Ouro Preto, MG (clique aqui para visualizar o folder)

XXIV Congresso da AJB – agosto, 2017 – “Fronteiras” – Foz do Iguaçu, PR


 

CARTA ABERTA DA ASSOCIAÇÃO JUNGUIANA DO BRASIL – AJB

Como cidadãos e profissionais da saúde mental (psiquiatras e psicólogos), responsável e firmemente, manifestamos a nossa posição frente ao atual campo político brasileiro e aos possíveis resultados que possam advir para a democracia e para a história de nosso País.
Observando a conjuntura social que vivemos fica muito claro a polaridade e dicotomia conflitante entre tendências opostas. Obviamente este é um fenômeno coletivo, já evidente em 2016 quando das manifestações das ruas. Entendemos que visões e crenças diferentes são ingredientes básicos da democracia, onde todas as vozes, tendências e anseios devem ser ouvidos e discutidos em um clima de inclusão de todos os cidadãos. Este diálogo torna-se incompatível quando a discussão se polariza e as diversas possibilidades são suplantadas pela visão de mundo em preto e branco somente.
Neste sentido adoecemos como sociedade, pois a polaridade exclui o todo e tende a criar condições de manifestações de projeções e ódios infundados mesmo entre amigos e familiares. Candidatos são porta vozes das condições psíquicas da sociedade e um olhar sério sobre nosso atual estado como nação se faz necessário.
Podemos verificar que a existência de lamentáveis e trágicos distúrbios em nossa sociedade, não podem ser atribuídas tão-somente à psicologia pessoal das pessoas envolvidas. Há, sim, manifestações de conteúdos coletivos, que modulam as reações em nível pessoal, que vão de discursos de ódio, agressões físicas e psicológicas e disseminação de notícias falsas pelas redes sociais.
Estamos atentos para o sentimento de derrota e de calamidade social no qual se encontra a sociedade brasileira, favorecendo a eclosão de forças regressivas adormecidas no inconsciente, e que se apresentam como solução, porém, com energia emocional suficiente para suplantar a racionalidade, o bom senso, o pacto moral e os princípios básicos de humanismo e de convivência com o outro.
​Nesse contexto, a defesa da Democracia se faz urgente, para acolher e superar as nossas diferenças, evitando o caminho regressivo da barbárie.
​O estado democrático de direito exige o acolhimento, o respeito, o diálogo sem fanatismos, a análise racional dos motivos e acima de tudo o respeito aos Direitos Humanos, conquistado a duras penas. O estado democrático exige uma atenção social constante com respeito e empatia, em um trabalho de afeto catalisador, como diria a Dra. Nise da Silveira: “um ponto de referência e apoio […] tornando uma relação de amizade” (Imagens do inconsciente. Petrópolis: Vozes, 2015: 77).
​O nosso trabalho profissional e cotidiano na Psicologia Analítica é auxiliar as pessoas a escolherem e a tomarem decisões construídas por meio de um empenho pessoal, que pode ser até contrário aos conteúdos coletivos dominantes.
​O ofício psicoterapêutico junguiano envolve-nos no cuidado de desidentificar a pessoa da contaminação coletiva em busca de seus próprios valores e crenças que fazem sentido profundo à sua Alma. Sabemos que todas as vezes que as psiques individuais se confundem nos parâmetros das massas, as consequências são, no mínimo, desagradáveis, quando não, na realidade, nocivas aos sentimentos vitais individuais, como: a perda da solidariedade, da percepção de vida comunitária e espiritual, de disponibilidade para se ligar a outras pessoas, mesmo que sintam e pensem de forma diferente, com amor e carinho.
​“O elemento de diferenciação é o indivíduo”, conforme afirma Carl Gustav Jung:- “As mais altas realizações da virtude, assim como os maiores crimes, são individuais. Quanto maior for uma comunidade e quanto mais a soma dos fatores coletivos, peculiar a toda grande comunidade, repousar sobre preconceitos conservadores, em detrimento da individualidade, tanto mais o indivíduo será moral e espiritualmente esmagado. O resultado disto é a obstrução da única fonte de progresso moral e espiritual da sociedade. Nestas condições só poderão prosperar a socialidade e o que é coletivo no indivíduo. Tudo o que nele for individual submerge, isto é, está condenado à repressão: os elementos individuais caem no inconsciente onde, geralmente, se transformam em algo de essencialmente pernicioso, destrutivo e anárquico” (O eu e o inconsciente. Petrópolis: Vozes, 1987: 27. Obras Completas: Vol. VII/2, § 240).
​Encerrando nossa argumentação nós, a Associação Junguiana do Brasil – AJB, como associação de profissionais de prática e formação de analistas junguianos, afirmamos nosso apoio incondicional à democracia, aos valores humanos, à liberdade de expressão, ao respeito aos indivíduos e suas ideias, sentimentos e diferenças. Apoiamos a liberdade, a igualdade e a fraternidade, apoiamos a unidade na diversidade.

Associação Junguiana do Brasil – AJB
Outubro de 2018.