Coleção Simplificando

Seguir semeando as ideias do psiquiatra Carl Gustav Jung é a proposta da coleção Simplificando.

Trata-se de uma coletânea que versam sobre os pressupostos básicos da Psicologia Analítica, com textos acessíveis, capazes de comunicar com qualidade e precisão temas complexos da psicologia junguiana.

Objetiva levar o conhecimento vivo aos leitores não especializados, aproximar o pensamento profundo da psicologia analítica, da vida de todos os dias das pessoas, de acordo com o expresso desejo de Carl Gustav Jung. Ao final de sua vida, Jung voltou seu interesse às necessidades de autoconhecimento e reflexão das pessoas, sempre individual e coletivamente.

Tipos psicológicos junguianos é o primeiro volume da coleção.

 

CARTA ABERTA DA ASSOCIAÇÃO JUNGUIANA DO BRASIL – AJB

Como cidadãos e profissionais da saúde mental (psiquiatras e psicólogos), responsável e firmemente, manifestamos a nossa posição frente ao atual campo político brasileiro e aos possíveis resultados que possam advir para a democracia e para a história de nosso País.
Observando a conjuntura social que vivemos fica muito claro a polaridade e dicotomia conflitante entre tendências opostas. Obviamente este é um fenômeno coletivo, já evidente em 2016 quando das manifestações das ruas. Entendemos que visões e crenças diferentes são ingredientes básicos da democracia, onde todas as vozes, tendências e anseios devem ser ouvidos e discutidos em um clima de inclusão de todos os cidadãos. Este diálogo torna-se incompatível quando a discussão se polariza e as diversas possibilidades são suplantadas pela visão de mundo em preto e branco somente.
Neste sentido adoecemos como sociedade, pois a polaridade exclui o todo e tende a criar condições de manifestações de projeções e ódios infundados mesmo entre amigos e familiares. Candidatos são porta vozes das condições psíquicas da sociedade e um olhar sério sobre nosso atual estado como nação se faz necessário.
Podemos verificar que a existência de lamentáveis e trágicos distúrbios em nossa sociedade, não podem ser atribuídas tão-somente à psicologia pessoal das pessoas envolvidas. Há, sim, manifestações de conteúdos coletivos, que modulam as reações em nível pessoal, que vão de discursos de ódio, agressões físicas e psicológicas e disseminação de notícias falsas pelas redes sociais.
Estamos atentos para o sentimento de derrota e de calamidade social no qual se encontra a sociedade brasileira, favorecendo a eclosão de forças regressivas adormecidas no inconsciente, e que se apresentam como solução, porém, com energia emocional suficiente para suplantar a racionalidade, o bom senso, o pacto moral e os princípios básicos de humanismo e de convivência com o outro.
​Nesse contexto, a defesa da Democracia se faz urgente, para acolher e superar as nossas diferenças, evitando o caminho regressivo da barbárie.
​O estado democrático de direito exige o acolhimento, o respeito, o diálogo sem fanatismos, a análise racional dos motivos e acima de tudo o respeito aos Direitos Humanos, conquistado a duras penas. O estado democrático exige uma atenção social constante com respeito e empatia, em um trabalho de afeto catalisador, como diria a Dra. Nise da Silveira: “um ponto de referência e apoio […] tornando uma relação de amizade” (Imagens do inconsciente. Petrópolis: Vozes, 2015: 77).
​O nosso trabalho profissional e cotidiano na Psicologia Analítica é auxiliar as pessoas a escolherem e a tomarem decisões construídas por meio de um empenho pessoal, que pode ser até contrário aos conteúdos coletivos dominantes.
​O ofício psicoterapêutico junguiano envolve-nos no cuidado de desidentificar a pessoa da contaminação coletiva em busca de seus próprios valores e crenças que fazem sentido profundo à sua Alma. Sabemos que todas as vezes que as psiques individuais se confundem nos parâmetros das massas, as consequências são, no mínimo, desagradáveis, quando não, na realidade, nocivas aos sentimentos vitais individuais, como: a perda da solidariedade, da percepção de vida comunitária e espiritual, de disponibilidade para se ligar a outras pessoas, mesmo que sintam e pensem de forma diferente, com amor e carinho.
​“O elemento de diferenciação é o indivíduo”, conforme afirma Carl Gustav Jung:- “As mais altas realizações da virtude, assim como os maiores crimes, são individuais. Quanto maior for uma comunidade e quanto mais a soma dos fatores coletivos, peculiar a toda grande comunidade, repousar sobre preconceitos conservadores, em detrimento da individualidade, tanto mais o indivíduo será moral e espiritualmente esmagado. O resultado disto é a obstrução da única fonte de progresso moral e espiritual da sociedade. Nestas condições só poderão prosperar a socialidade e o que é coletivo no indivíduo. Tudo o que nele for individual submerge, isto é, está condenado à repressão: os elementos individuais caem no inconsciente onde, geralmente, se transformam em algo de essencialmente pernicioso, destrutivo e anárquico” (O eu e o inconsciente. Petrópolis: Vozes, 1987: 27. Obras Completas: Vol. VII/2, § 240).
​Encerrando nossa argumentação nós, a Associação Junguiana do Brasil – AJB, como associação de profissionais de prática e formação de analistas junguianos, afirmamos nosso apoio incondicional à democracia, aos valores humanos, à liberdade de expressão, ao respeito aos indivíduos e suas ideias, sentimentos e diferenças. Apoiamos a liberdade, a igualdade e a fraternidade, apoiamos a unidade na diversidade.

Associação Junguiana do Brasil – AJB
Outubro de 2018.