Associação Junguiana do Brasil

Cadernos Junguianos – n° 6 – 2010

Sumário

Editorial 
 5

Artigos

Individuação: o devir e a deriva do sujeito

Roque Tadeu Gui 
 7

O mito de Perseu e da Medusa e os processos de petrificação

Maria da Graça Serpa 
 26

O amor entre parceiros do mesmo sexo e a grande tragédia da homofobia

Gustavo Barcellos 
 42

Amor, dor e criatividade

Glauco Ulson 
 58

Mar Morto: é doce morrer no mar...

Renata Wenth 
 71

O trecho do mundo: um olhar sobre a individuação do andarilho

Alessandro Caldonazzo Gomes 
 92

Complexo materno e criatividade em Como Água para Chocolate: individuação e psicopatologia

Aurea Christina Torres 
 104

Self corporal: um caso paradigmático de experiência intra-uterina

Lygia Aride Fuentes 
 116

Desenvolvimento de identidade na adolescência: uma análise do livro Clarissa na perspectiva da psicologia analítica

Simone Rodrigues Neves 
 135

Resenhas

A Antropologia de Lévy-Bruhl

Rubens Bragarnich 
 154

Psique Geradora de Mitos

Acaci de Alcântara 
 156

As Emoções no Processo Psicoterapêutico

Silvia Graubart 
 157

O Irmão

Victor Palomo 
 159

Palestras dos Tempos de Faculdade

Rubens Bragarnich 
 161

A Partida

Denise Maia 
 163

Pecado da Carne

Silvia Graubart 
 166

Orientações aos autores para publicação 
 169

 

INDIVIDUAÇÃO: O DEVIR E A DERIVA DO SUJEITO

Resumo: Discute-se o conceito de individuação, noção central da psicologia analítica, em seus desdobramentos peculiares na doutrina junguiana. Argumenta-se que, embora a individuação seja uma tendência inerente à condição humana, trata-se de um processo sem fim e pode ser cultivado e direcionado pelo empenho pessoal, com a adoção de estratégias de desenvolvimento, tais como a psicoterapia e a análise. Estabelecem-se relações entre as ideias da psicologia analítica e o caráter circunstancial da existência humana. Para isto, lança-se mão das ideias de dois outros pensadores da situação humana: José Ortega y Gasset e Paulo Freire. Ambos convencidos de que o mundo só se faz mundo por meio da práxis humana, mas também de que não se pode falar de vida humana sem que se fale deste mesmo mundo.
Palavras-chave: individuação, condição humana, devir e deriva do sujeito, subjetividade e circunstância, práxis.

O M I TO DE PERSEU E DA M EDUSA E OS PROCESSOS DE PETRI FI CAÇÃO

Sinopse: Este artigo é uma reflexão acerca do mito do herói grego Perseu na sua tarefa de decapitar a Medusa. De sua relação com o trabalho heroico do ego do homem ocidental em nossos dias, que precisa vencer a si mesmo para, redimido, encontrar-se com o Self.
Palavras-chave: Perseu, Medusa, Ego, Si-Mesmo, Redenção.

O AMOR ENTRE PARCEIROS DO MESMO SEXO E A GRANDE TRAGÉDIA DA HOMOFOBIA

Sinopse: A homossexualidade não é somente uma orientação sexual, mas também uma preferência afetiva. Como um amor “difícil” ou interdito, mantém a psique num trabalho constante de iniciação no autoconhecimento. Um indivíduo de orientação afetiva homossexual está desde sempre numa relação intensa com os mistérios de sua identidade sexual, sempre em descoberta, em questionamento. Este ensaio explora as diversas faces desse amor, em nível individual e arquetípico, incluindo os mitos de Eros que são mais importantes na tentativa de compreensão da alma homoerótica que qualquer imagem que nos devolva às reduções de masculino/feminino.
Para a clínica psicoterapêutica, uma dessas faces inclui a homofobia, que constitui então elemento da maior importância por seus efeitos emocionais constitutivos. A homofobia é um tema pouco elaborado entre os profissionais da psicoterapia, inclusive entre os analistas junguianos, tanto do ponto de vista teórico, quanto do ponto de vista prático.
Palavras-chave: homossexualidade, homofobia, Eros, alma, Andrógino.

AMOR, DOR E CRIATIVIDADE

Sinopse: O autor aborda o amor como um fenômeno arquetípico e explora essa concepção por meio de amplificações simbólicas encontradas na cultura ocidental, a partir de eros na visão dos gregos, passa por Adão e Eva, explora o amor no mito judaico cristão. Examina o amor do ponto de vista da psicologia analítica, as possibilidades de suas manifestações inclusive no setting analítico e como caminho para o encontro com a alma. Considera o amor, a dor e a criatividade como forças que movem o mundo e o mantêm íntegro.
Palavras-chave: amor, arquetípico, cultura ocidental, alma, dor, criatividade

MAR MORTO: “É doce morrer no mar...”

Sinopse: Este artigo propõe um olhar psicológico para o livro Mar Morto, uma das obras de Jorge Amado. O mar, imagem de fundo do romance, revela-se um verdadeiro retrato, imagem arquetípica, das profundezas psíquicas — evidenciando temas como a morte, o amor, a dor da perda e a paixão.
É realizada uma correlação entre as ideias de Jorge Amado, Gaston Bachelard e a psicologia analítica sobre a imagem do mar e das águas. O drama e a paixão vivida pelos personagens principais do livro espelham o das relações intrapsíquicas e interpsíquicas — demonstrando a construção e o desenrolar da vida psíquica. Uma coniunctio alquímica.
Palavras-chave: inconsciente, arquétipos, imagem arquetípica, coniunctio alquímica, amor-morte- mar.

O TRECHO DO MUNDO: UM OLHAR SOBRE A INDIVIDUAÇÃO DO ANDARILHO

Sinopse: Este artigo originou-se da monografia de conclusão do curso de formação de analistas e busca discorrer sobre a realização do processo de individuação dos andarilhos, sob a óptica da psicologia analítica de Carl Gustav Jung. Também procura-se correlacionar o fenômeno da sua “ opção” de vida com a ética contemporânea, com os arquétipos da errância e da sombra, além de parte de sua experiência religiosa. O autor enfatiza a relevância do fenômeno do “ estilo” de vida do andarilho como uma forma silenciosa e concreta de trazer significativos questionamentos para os atuais modos de vida da sociedade.
Palavras-chave: andarilho, arquétipo, individuação, psicologia analítica

COMPLEXO MATERNO E CRIATIVIDADE EM COMO ÁGUA PARA CHOCOLATE: INDIVIDUAÇÃO E PSICOPATOLOGIA

Sinopse: Esse trabalho discute o processo de individuação nas mulheres mediante amplificação com o filme Como Água para Chocolate. O filme é baseado no romance da escritora mexicana Laura Esquivel, que é a roteirista também. Enfatizamos um conto indígena que é relatado no filme e que pensamos ser o ponto central desse enredo: um símbolo da vida de Tita, a heroína dessa história.. A vida de Tita, das irmãs e mãe é contextualizada para estudar o trabalho de C. G. Jung a respeito da psicodinâmica dos complexos maternos nas mulheres. Finalmente construímos pontes para questões sociais e culturais que estão envolvidas no processo de adaptação e individuação de qualquer pessoa.
Palavras-chave: cinema, complexo materno, individuação, criatividade, psicopatologia.

SELF CORPORAL: UM CASO PARADIGMÁTICO DE EXPERIÊNCIA INTRAUTERINA

Sinopse: Este artigo percorre algumas concepções psicológicas na busca de compreender o ser humano como uma unidade biopsíquica, a emergência de um Self corporal precoce e o principium individuationis atualizados em imagens de experiência intrauterina mediante a apresentação de um caso clínico.
Palavras-chave: Self corporal, unidade biopsíquica, bases biológicas dos arquétipos, inconsciente somático, arquétipo psicoide.

DESENVOLVIMENTO DE IDENTIDADE NA ADOLESCÊNCIA: UMA ANÁLISE DO LIVRO CLARISSA NA PERSPECTIVA DA PSICOLOGIA ANALÍTICA

Sinopse: Este artigo analisa a obra literária Clarissa, de Erico Verissimo, e enfatiza o desenvolvimento de identidade da protagonista. Buscou-se tecer aproximações entre as expressões da psique feminina adolescente manifestas no romance com as contribuições da psicologia analítica. Discute sobre as angústias, sonhos e fantasias vivenciadas nessa fase da vida, advindos do rompimento do estado paradisíaco da inconsciência e a necessidade de elaboração de lutos e sacrifícios como parte da aquisição da identidade adulta. Durante a adolescência ocorre uma diferenciação do ego; dessa forma, a relação com o outro faz-se imprescindível para o caminho do encontro consigo. Nessas relações interpessoais os arquétipos da persona, sombra e anima/animus são acionados para estruturação da personalidade.
Palavras-chave: adolescência, desenvolvimento de identidade, individuação, anima/animus.

Instituto de Psicologia Analítica de Campinas
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